Na Idade Média, o mundo era ao mesmo tempo fascinante e assustador. Na ausência de conhecimento, as pessoas não tinham escolhe a não ser usar a própria imaginação (e escutar o que diziam) para dar sentido aos fenômenos naturais ao seu redor.
O resultado dessa imaginação foi um mundo onde tudo parece mágico, um lugar repleto de anjos e demônios, fadas e duendes, elfos, gnomos e bruxas. Confira uma lista que nos leva para dentro da mente medieval e seus medos e superstições:
OBS: Lembrem-se, são superstições. Você não da pra usar tanta lógica para explicar os fatos.
1- O mar no céu
Para esta história, temos que lembrar o trabalho “Otia Imperiala” do cronista Inglês Gervase de Tilbury. Escrita em torno de 1212, ele declarou sua crença de que “o mar é maior do que a terra”, que era “acima de nossa habitação….dentro ou no ar”. Essa ideia foi baseada em Gênessi 1, que fala de “águas acima do firmamento.”
Para provar, Gervase oferece um acontecimento que ocorreu em uma aldeia Inglesa. Um nublado domingo, quando os moradores estavam saindo da igreja, eles notaram uma âncora ligada a uma das lápides. Esta âncora estava ligada a uma corda que subia aos céus. Para sua surpresa, a corda começou a se mover como se alguém estivesse tentando erguer a âncora. Ela não se mexia, e barulhos como o de marinheiros gritando eram ouvidos acima, e um homem começou a descer para baixo. os aldeões seguraram o homem, e o mesmo morreu sufocado pela umidade de nosso ar denso, como se estivesse se afogando no mar. Depois de uma hora, a corda foi cortada e os outros marinheiros seguiram.
Outro conto diz respeito a um comerciante que acidentalmente deixou cair sua faca no mar. Na mesma hora, a mesma faca de repente caiu por uma janela aberta em sua casa em Bristol, caindo em cima da mesa na frente de sua esposa. Como seria de se esperar, esses contos são interpretados pelos teóricos de OVNIs como histórias de encontros com aliens.
2- Changelings
Na Grã-Bretanha medieval, acreditava-se que as fadas poderiam roubar uma criança e substituir por outra, um changeling. Uma história em particular é a de um ferreiro, cujo filho, normalmente um rapaz saudável e alegre, de repente teve um problema de letargia, definhando tão rápido que todo mundo pensou que iria morrer. Depois de permanecer nesta condição por um longo tempo, um velho aproximou-se do ferreiro e disse que seu filho poderia ser um changeling.
Para certificar-se,o velho propôs um teste: Colher um pouco de água em cascas de ovos vazias e organizá-los em torno do fogo, em vista do menino. O ferreiro seguiu estas instruções na frente do menino, que, em seguida sentou-se (lembre-se que ele estava em um estado que parecia morto) e exclamou: “Tenho agora 800 anos!” Esta foi a confirmação de que a criança era um changeling. O velho disse ao ferreiro que seu filho verdadeiro teria sido tomado pelas fadas e aconselhou seu pai a se livrar do changeling, jogando o impostor em uma fogueira.
Após descobrir o plano do ferreiro, o changeling saltou através do telhado e desapareceu. O ferreiro armado apenas com uma bíblia, começou a invadir o domínio das fadas na tentativa de resgatar o seu filho. Ele viu seu filho entre as fadas, e, protegido pela bíblia, conseguiu tomar a criança e fugirem da colina.
Ao longo da história da Grã-Bretanha, as pessoas muitas vezes realizaram o mesmo teste para determinar se um bebê era um changeling. Um teste era colocar um sapato em uma tigela de sopa na frente do bebê. Se ele risse, isso significaria que ele tinha entendido a piada, e era uma fada. A lenda do changeling permitia que as pessoas medievais explicassem mortes prematuras em crianças, bem como doenças infantis, deformidades físicas e mentais e outras deficiências.
3- Um lugar para o mau
Drangey Island, no Atlântico Norte, cerca de uma hora de viagem de barco no norte da Islândia, é marcada por um penhasco tendo 168 metros acima do nível do mar. Este lugar é lar de milhares de aves marinhas. Na Idade Média, era acreditado que esta ilha era o lar de seres malignos. Os homens que escalavam os penhascos para caçar pássaros, muitas vezes caiam com suas cordas misteriosamente cortadas.
Aterrorizados, as pessoas já não se aventuravam mais para a ilha, o que se tornou um problema para Gudmundur, o santo bispo de Holar. A cidade atraiu inúmeros mendigos, e alimentá-los dependia da caça em Drangey. Então Gudmundur decidiu exorcizar a ilha. Com vários sacerdotes e um barril de água benta, o bispo começou a abençoar a ilha. Ele quase terminou seu ritual, quando uma gigante mão peluda (estou vendo esse pensamento indecente ai) saiu da face do penhasco e começou a cortar as cordas que seguravam o bispo. Felizmente, a corda tinha sido abençoada com antecedência, quando a criatura viu que não poderia matar o bispo, ele implorou “Pare sua bênção, bispo Gudmundur, até mesmo o mal precisa de um lugar para viver.”
Por isso, o bispo declarou que esta parte do penhasco deveria ser um lugar para o mal morar, e que as pessoas deveriam evitar a caça lá. O Bispo Gudmundur realizou bênçãos regulares em outros lugares, mas ele sempre teve o cuidado de deixar de lado aquele que é o “lar do mal”.
4- Pest Maiden
A Peste Negra foi uma das pragas mais devastadoras da história da humanidade. O eventou levou um terço inteiro da população da Europa no século 14. Parte do terror era que ninguém realmente entendia o que estava causando toda esta morte e muito menos como evitar. A melhor explicação apresentada pelos acadêmicos da Universidade de paris foi a de que a peste foi causada por uma combinação de terremotos e o alinhamento de planetas. Este alinhamento maligno não só causou a peste, mas também levantou tempestades que espalharam gases nocivos da terra, que haviam sido liberados pelos terremotos.
Mas o povo comum não podia compreender tais ideias sofisticadas. Eles preferiam acreditar que a praga era um castigo divino, e que era um presságio do fim do mundo. Lendas tentam explicar como a propagação da doença aconteceu, a mais conhecida é a lenda “Pest Maiden”. Ela era imaginada sendo uma mulher envolvida por uma chama azul que voava por toda a terra, espalhando o contágio. Na Escandinávia, acreditava-se que ela tinha saído da boca de um morto, e voava para longe para infectar a próxima casa. Na Lituânia, a Donzela acenava um lenço vermelho através da porta ou janela, deixando entrar a peste. Uma história fala de um homem heroico que deliberadamente esperou a donzela em sua janela aberta com uma espada desembainhada. A donzela veio, e logo que estendeu a mão para balançar o lenço mortal, o homem a golpeou, fazendo-a perder a mão. Como resultado, o homem morreu, mas sua aldeia foi poupada e o lenço preservado como relíquia na igreja local.
Personificar a praga era surpreendentemente comum. Na Suécia e Noruega pós medieval, a doença foi retratada como um casal, um homem velho e uma velha carregando uma pá e uma vassoura, respectivamente. O velho com a pá viria e poupava algumas pessoas, mas quando a velha saia com sua vassoura, nenhuma pessoa, homem ou mulher, jovem ou velho saia vivo.
5- Malleus Maleficarum
Na lista de livros mais infames da história, o Malleus Maleficarum (O Martelo das Bruxas), deve classificar-se como o “Mein Kampf” de Hitler. Publicado em 1486, foi escrito por dois alemães, Heinrich Kramer e Jacob Sprenger, desmascarando argumentos de que as bruxas não existem. Também foi criado para servir como um manual de como detectar uma bruxa. Ele foi responsável pelo frenesi que se seguiu de caça às bruxas que cobriu a Europa com o sangue de milhares de vítimas, a maioria mulheres.
O Malleus evidência que algumas superstições estão longe de serem inofensivas. O livro decreta que a bruxaria é uma heresia, e que não acreditar nela também é uma heresia. Ele afirma que as bruxas são em sua maioria mulheres, e é o desejo feminino que leva as mulheres a formar pactos com o Diabo. Parteiras eram especialmente escolhidas pela sua capacidade de evitar uma concepção e interromper a gravidez. Ele os acusa de comer crianças e oferecer filhos vivos para o Diabo. Mas a atrocidade real do Malleus e seus autores reside nos procedimentos elaborados de como se identificar e exterminar bruxas.
Os acusados devem ser despojados e procurar “Marcas do Diabo”, então mergulhar elas em água ou queimá-las, já que as pessoas que estão sob a proteção do Diabo não podem ser afogadas ou mortas pelo fogo. Usando o Malleus como um guia, a tortura foi bastante utilizada para extrair confissões. Instrumentos de tortura foram desenvolvidos para esmagar ou deslocar ossos, orifícios, ou arrancar as unhas. Tenazes em brasa também foram usados para arrancar pedaços de carne. Os culpados de bruxaria eram geralmente queimados na fogueira. Basicamente, se você fosse considerado uma bruxa, não tinha muito a se fazer para provar o contrário, pois somente a morte poderia te livrar de toda a dor que viria a seguir.


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